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Defensivos

16.07.15

As entrevistas dos líderes do PS e do PSD revelam um comportamento defensivo. Jogam apenas na erosão. Assim, vai ser ainda menos motivador, o processo eleitoral e abrem a porta a casos mediáticos.

 

António Costa deu duas entrevistas nas televisões em sinal aberto e em prime-time. Sem notícia, dados novos. Na defensiva. Cauteloso. Um discurso moderado, pose institucional e posicionamento ao centro.

Pedro Passos Coelho foi uma cópia de António Costa. A única diferença foi o cenário. Em S. Bento, para marcar o estatuto.

Uma análise mais profunda, sobre o posicionamento dos dois partidos face aos principais problemas dos portugueses (a estratégia nacional e o condicionamento internacional) ajuda a perceber que não há diferenças assinaláveis entre as duas forças políticas.
No inicio do processo de ajustamento havia uma fronteira ideológica.
O PSD liberal, dinamizador de uma pretensa revolução do Estado (retirando o peso na sociedade) e a ideia de um país novo. Estas particularidades desapareceram. A aproximação foi feita também no discurso e no posicionamento. Exemplo: as bandeiras do PS são emprego e crescimento económico. As bandeiras do PSD são crescimento económico e justiça social/emprego.
Com um posicionamento idêntico (ao centro), com um eixo de campanha igual ("nós vamos tirar o país da austeridade a que o outro partido nos submeteu" ) com bandeiras parecidas e com uma postura igualmente moderada e defensiva, PS e PSD tornam-se o Dupont e Dupont (será Paulo Portas o elemento diferenciador?).
Se nos próximos meses os dois partidos caminharem lado a lado, como uma linha de caminho de ferro, abre-se uma oportunidade para outros ocuparem o território da novidade, da alternativa, da mudança, da surpresa. Tendo em conta os estudos de opinião, quem ocupar este espaço não vai ganhar as eleições. Nem pensar, o eleitorado prefere o previsivel. Mas pode ganhar relevo, espaço... e votos.

O que remete para uma outra questão. O PS tem dificuldades em superar os 37/38 pc. O PSD e o CDS, coligados, também revelam dificuldade de crescimento. Sobem, mas muito ligeiramente e o resultado final fica muito aquém do somatório dos dois partidos nas eleições anteriores. Se pouco fazem para alargarem a base eleitoral, fora do centrão, e podem deixar a outros o espaço mediático da mudança, estão a dificultar a sua capacidade de crescimento.
O receio de perderem o que têm impede de se aventurarem na conquista de mais eleitores. Estão confinados. Como o país.

 

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publicado às 15:11




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