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O "Rigor"

08.06.15

A coligação teve uma reacção atabalhoada às propostas dos economistas que fizeram um levantamento macro-económico para o PS.
Pouco a pouco, PSD e CDS foram acertando o discurso.
Uma das mensagens que pretendem transmitir é a falta de rigor. A falácia dos números.
Se o documento tem a credibilidade emprestada pelo curricula dos seus autores, a coligação tenta minar este efeito.
Recorre ao medo. Do passado. Da hecatombe. Do resvalar da dívida.
Tem sido e (tudo aponta que vai continuar a ser) o discurso da coligação. Ainda hoje Paulo Portas afirmou que "Portugal se arrisca a voltar à bancarrota com o PS". 
Este discurso, certamente, tem uma base técnica. Não é mero improviso.
A explicação poderá estar na sondagem revelada pelo Expresso a 21 de Maio: "De acordo com os dados da sondagem da Eurosondagem para o Expresso e a SIC, 54,1% dos inquiridos não acredita nas promessas de redução de impostos. Contra apenas 31,4% que diz acreditar no que o PS está a prometer nesta pré-campanha."

A este ataque o que faz o PS? Ignora e tenta marcar a sua agenda ou contra-ataca (e segue a agenda do adversário)?
Os sinais é de que não ignora.
Quem visita o site do PS encontra no cabeçalho, a letras gordas "Confiança".
assinatura de muitos materiais de comunicação, até da própria Convenção, tem sido: "Alternativa de Confiança". Quando da apresentação do programa eleitoral o slogan era outro: "Fazer Juntos Fazer Melhor".

outdoor.jpg O cartaz recentemente lançado vai no mesmo sentido. A palavra "Rigor" aparece em destaque.
Todos estes elementos levam a considerar que o PS verifica que tem aqui um problema. Dar confiança à suas propostas.
Um problema que vem do passado recente.
Um problema que não se resolveu com a credibilidade emprestada pelos reputados economistas.
Um problema que está a ser aproveitado pela coligação para tentar reforçar este atributo negativo.
O último documento dos economistas que reafirmam a "segurança"das contas apresentadas procura ser um contributo para anular o efeito pretendido pelo PSD e CDS.
No entanto, até agora, a melhor resposta foi dada por António Costa no dia do encerramento da Convenção e esta segunda-feira: "Costa: eu diminuí a dívida da Câmara em 40%, eles aumentaram a do país em 18%". Contra factos não há argumentos. O prestigio alcançado na Câmara de Lisboa é um atributo que pode e deve valorizar.

Uma última observação sobre o cartaz de António Costa:graficamente é muito pobre. É pouco legível. Não se percebe o fundo. Com pouca luz não se consegue ler a assinatura nem o nome.
"Rigor" é rigor. Com lettering institucional. Forte. Não colorido como se fosse uma festa. O "O" colorido não lembra a ninguém quando se quer transmitir uma imagem de robustez, confiança, seriedade.
Fazia mais sentido um outdoor com o título da notícia atrás citada: "Eu diminuí a dívida da Câmara em 40%, eles aumentaram a do país em 18%"
Um outdoor espalhado por vários pontos do país é muito caro. Os outdoors são instrumentos relevantes de comunicação política. Assim, é esbanjar dinheiro. 

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publicado às 16:06




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