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Catarina Martins

20.09.15

A líder do BE tem sido elogiada nesta fase de pré-campanha.
Os elogios advêm da prestação televisiva.

Em primeiro lugar, Catarina Martins soube aproveitar a oportunidade na fase de negociação. Foi a única líder da oposição a aceitar debater com Paulo Portas. Os restantes partidos recusaram em função da alteração legislativa. Catarina teve, assim, mais expoisção do que os restantes.
Só isto não chegava.
O principal atributo porque merece estes elogios tem a ver com a forma como se preparou para os debates.
Expresso fala em alteração no visual.
Sim, tanbém foi. Mas foi mais do que isso. Para cada debate Catarina Martins levou uma ideia clara, um objectivo determinado.
Com Paulo Portas procurou centrar a mensagem nas questões sociais.
Com Jerónimo de Sousa foi a prestação mais fraca. Na verdade não houve debate.
No confronto com Passos Coelho foi dura. Nas palavras e na oportunidade política. O adiamento da venda do Novo Banco foi utilizado como pretexto para exigir a Passos que devia pedir “desculpa” aos portugueses por ter garantido o contrário.
Por último, a António Costa repetiu até à exasutão a ideia de que o PS vai retirar aos pensionistas 1.600 milhões nos próximos quatro anos.
Catarina não se perdeu. Em cada um destes debates focou-se na mensagem que pretendia transmitir. Não saiu deste objectivo. Com uma linguagem acessível a todos e com uma postura combativa mas menos guerrilheira não perdeu as oportunidades para marcar pontos.
Todos contrargumentaram com o caso da Grécia. Não foi fácil mas também tinha a lição estudada.

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publicado às 00:31

ponto zero

17.09.15

Após o debate nas rádios (Ant1, RR, TSF), voltámos ao ponto zero. Nem dá para perceber a tendência que se vai seguir.
Antes do debate nas TVs havia uma linha ascendente da coligação. A agenda estava a ser marcada pelos disparates do PS, o desânimo entre os socialistas era evidente e os resultados das sondagens cerificavam o balanço.
Após este debate verificou-se uma tendência de forte recuperação do PS. Regressou o ânimo aos socialistas, a agenda foi terrivel para o governo - sondagens do debate, notícias de frustração na maioria, processo judicial com Miguel Macedo, insucesso da venda do Novo Banco... .
Com o debate nas rádios, voltámos à estaca zero.
António Costa manteve o registo e as mensagens. Correcto. A questão é porque não levou "trunfos", porque não apontou mais casos como fez no debate anterior... Era expectável uma atitude diferente de Passos Coelho. António Costa e o PS já o sabiam. Limitaram-se a esperar. Não tiveram o cuidado de preparar a novidade. Deixaram a iniciativa ao opositor.
Passos Coelho mudou, e muito. Deixou de fazer de morto a levar pancada e nem se queixava. Passou a ser assertivo, levou casos e aproveitou uma quebra no adversário.
Este balanço e a falha de António Costa remete para uma outra situação.
Muito mais do que o debate em si, até pela limitação da audiência da rádio fora do horário nobre, o relevante é o que os restantes órgãos de comunicação social vão noticiar.
Em particular as televisões. Mais, lembram-se do caso do PIB de António Guterres? A situação agora não teve a coreografia do "engasganço" de Guterres mas não deixou de ser aproveitada por Passos Coelho.
A dúvida é: até que ponto a coligação vai fazer do "lapso" de António Costa um caso? E qual a repercussão que vai ter nos órgãos de comunicação social.
A questão não é irrelevante. O líder do PS desenvolveu uma estratégia de crebilidade ao pedir um "estudo a académicos, as contas estão feitas e são transparentes". Uma estratégia muito eficaz. Os académicos emprestaram-lhe credibilidade e aproveitou a ausência de propostas da coligação para contrapor uma estratégia política. O problema é quando não se sabe a que corresponde os números apresentados. Aqui, há um caminho por explorar pela coligação que pode trazer problemas a António Costa.
No entanto, Passsos Coelho também foi vago nas suas propostas. Mudou o estilo mas não o conteúdo. Perguntado sobre o que pretende fazer no futuro, ele responde, o que estou a fazer no presente. Não é motivador, não projecta uma ideia, uma expectativa. Além do mais, o presente é muito contraditório.

Uma nota final. Este foi um debate. Os protagonistas assumiram o confronto com uma postura de resposta/contraresposta. No entanto, o mérito não é apenas dos líderes políticos.
A moderação dos jornalistas ajudou a que se conseguisse este objectivo.
Mantiveram a disciplina mas deixaram os protagonistas dialogar, ripostarem, deixá-los respirar. No debate das TVs foram interrompidos com mais frequência, havia uma grande preocupação com a métrica. Aqui, no debate na rádio, houve também uma preocupação com o conteúdo e o confronto.Muito melhor.

Manchetes online às 13.30h:
Expresso:Passos perguntou e Costa não respondeu: como vai poupar 1000 milhões na segurança social?
Observador: Em direto: "Quer ganhe quer perca", Passos negoceia pensões
Radio Renascença:Onde vai poupar mil milhões de euros em prestações sociais? Costa não responde
TSF:O debate Passos Coelho-António Costa
Publico: Costa assume baixa de impostos para a classe média, Passos não se compromete
RTP: Passos Coelho vs António Costa: recorde os principais momentos do debate
TVI24:"Baixaram o IVA, aumentaram salários e comemos com um resgate"
Correio da Manhã: Passos culpa PS pela austeridade
Sic Noticias: Passos Vs. Costa, o último debate tema a tema
DN:Passos muito mais ao ataque, Costa igual, Sócrates "ausente"
JN:Passos Coelho mais agressivo e António Costa mais nervoso

 

Actualizaçao. 
Para estancar o problema criado no debate, António Costa falou aos jornalistas sobre o tema e, pouco depois, colocou este esclarecimento na sua página do Facebook

PONTOS NOS IS

O que alguns comentadores consideram o "caso do debate" que hoje mantive com o líder da coligação de direita é verdadeiramente um não caso, que esconde a verdadeira falta de boas contas dessa coligação.

As prestações sociais de natureza não contributiva, pagas com impostos, têm um valor anual de 5.700 milhões de euros. Uma redução da despesa de 250 milhões por ano vale 4%. Não inclui as pensões para as quais todos contribuímos enquanto trabalhamos.

E reduzir a despesa por via da introdução da condição de recursos, em sede de concertação social, é reforçar a justiça e equidade social na gestão dos impostos dos portugueses.

Caso sério é o que propõe a coligação de direita : um novo corte nas pensões já em pagamento de 600 milhões € por ano e privatizar para sempre 6% da receita da segurança social. Isto sim , seria um caso sério.

Caso sério é ter um candidato a primeiro-ministro que esconde os números e que se entretém a deturpar os do Partido Socialista.

António Costa

Audiência: 1,272 milhões ouvintes

 

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publicado às 12:47

duas gravatas vermelhas

16.09.15

Um tinha uma gravata vermelho vivo. Outra tinha uma gravata vermelha com pintas brancas. 
Durante 42 minutos foi esta a principal diferença no debate entre Jerónimo de Sousa e António Costa.
O ponto comum é que aproveitaram este tempo para zurzir no governo e apresentarem as suas propostas.

Debate, debate, só no último quarto de hora e por iniciativa de António Costa. Quando o líder do PS introduziu a discussão sobre a permanência ou a saída do Euro.

Tal como relata o Expresso, "era suposto ser um debate entre António Costa e Jerónimo de Sousa, mas resultou numa entrevista morna a cada um deles. Ficou a resposta à pergunta: há divergências de fundo sobre o euro e a Europa que impedem uma política a dois num Governo".

Do ponto de vista de comunicação política os líderes dos dois partidos optaram por uma política de não agressão. O dia seguinte às eleições pode ditar proximidade.
Por outro lado, ao não ser contundente e manter a porta aberta com o eleitorado comunista, António Costa també pode, uns dias antes das eleições, dizer a esse mesmo eleitorado: " ó amigo, temos aqui um problema onde você têm um papel importante: para evitar o risco da vitória da coligação, você tem de votar PS. Depois eu falo com o Jerónimo...Mas primeiro temos de deitar fora este governo. Para isso tem de votar no PS".

Jerónimo de Sousa, no minuto final, tentou separar as águas e evitar o risoc do vot útil quando afirmou que há diferenças profundas entre a CDU e o PS que não foram discutidas, segurança social, legislação laboral... Já foi tarde. A fechar. Catarina Martins, do BE, foi mais perspicaz. Cedo marcou a diferença para não deixar o seu eleitorado ser seduzido pelo voto útil. 

 

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publicado às 23:59

1.600 milhões

14.09.15

Um propósito: o PS também penaliza os pensionistas. Esta mensagem foi o foco de Catarina Martins no debate com António Costa. Como o fez: repetiu até à exaustão a mesma mensagem. Tudo era pretexto: o PS fez as contas e quer retirar aos pensionistas 1.600 milhões nos próximos quatro anos.
António Costa deixou andar. Foram mais de 20 minutos a deixar Catarina Martins a repisar o tema. Quando reparou que corria o risco desta mensagem marcar o rescaldo do debate já ía tarde.
Uma hora depois do fim do debate:
RTP online: "Pensões aquecem debate entre António Costa e Catarina Martins
António Costa e Catarina Martins estiveram frente-a-frente na TVI 24.
A líder do Bloco de Esquerda acusou o PS de querer retirar às pensões mais de 1.600 milhões de euros nos próximos 4 anos. Costa respondeu que à exceção das pensões mínimas, o PS tem previsto o congelamento das restantes pensões mas não é nenhum corte."
Visão: "Eleições: Costa e Catarina Martins em choque nas pensões, Europa e economia. Lisboa, 14 set (Lusa) - A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acusou hoje o PS de preparar-se para retirar 1660 milhões de euros aos pensionistas, enquanto António Costa contrapôs que a "retórica" bloquista, a concretizar-se, levaria Portugal ao "desastre".
Noticias ao minuto: "A "política pateta" do PS e o mundo "retórico" do Bloco.António Costa e Catarina Martins debateram, esta segunda-feira, num frente-a-frente na TVI24, sobre as propostas eleitorais, sendo a Segurança Social o tema que despoletou mais divergência.
Expresso: "Costa renega “tentações esquerdistas”, Catarina encosta-o à direita. Líder do BE pôs condições para negociar com o PS “um governo que possa salvar o país”. António Costa não lhe deu troco."

Pode-se questionar a credibilidade, a argumentação, a encenação... tudo.Mas quem não viu o debate e o único contacto é o que os media vão noticiar vai ficar com uma informação: a dos 1.600 milhões. Ou seja, o BE colocou na agenda dos media um tema negativo para o PS. De tanto repetir a frase passou a ser noticia. 

vídeo: TVI 24

Audiência; 208 mil espectadores

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publicado às 23:11

Costa ganhou

09.09.15

Indiscutivelmente António Costa ganhou o debate a Passos Coelho.
1. Os ganhos directos
Ganhou porque a expectativa era de uma prestação superior de Passos Coelho.
Ganhou porque de manhã os socialistas acordaram com uma sondagem que foi recebida como uma pedra de gelo e à noite meteram a pedra de gelo num copo de whisky.
Ganhou porque deu ânimo aos socialistas e retomou a expectativa de que a tendência de queda, afinal não é irreversível.
Ganhou porque António Costa se preparou e deixou Passos Coelho sem resposta em algumas "manobras" tácticas.
Ganhou porque levou uma estratégia bem delineada e mostrou segurança.
Ganhou porque Passos revelou instabilidade, nervosismo. O incumbente vacilou.
Ganhou porque Passos não se adaptou. Levou uma estratégia defensiva e acabou por funcionar como um saco de boxe.
Ganhou porque Passos não funciona  num debate que exige respostas rápidas e acutilantes.
Ganhou porque Passos quis explicar, justificar, explanar e um debate não é uma prova oral.

 

2. Os ganhos indirectos
A relevância do debate não é apenas o que se passa na arena. É também, e muito, o que os escribas contam e descodificam.
Após o debate não vi um único comentador dizer que Passos esteve bem, muito menos que ganhou.
Percorro alguns sites de notícias e têm destaque variados mas alguns apontam para a vitória de António Costa.
Capas de jornais de economia:

Screen Shot 2015-09-10 at 00.36.14.png

Capas de jornais nacionais de informação geral:

DN

DN
I

i.jpg

 JN

jn.jpg

Público

publico.jpg

CM

cm.jpg

 

3. O que não entendo:
O que levou Passos Coelho a levar ao extremo a estratégia defensiva? Ao ponto de se mostrar uma figura vulnerável, passiva. Julgo que lhe terão dito: "você é estadista. Pose institucional. Não responda. Diga o que quer dizer para os indecisos. Cole o A. Costa ao governo de Sócrates. Deixo o Costa mostrar o perfil de alguém instável, quezilento, que só diz mal..." Acho que Passos não se adaptou. Foi inflexível nesta estratégia.
Segunda dúvida: o que levou António Costa a remexer no passado? Que foi o PSD que chamou a troika! Isso é dar uma de avanço a Passos Coelho. O que o levou a convidar Passos a visitar Sócrates? Porque se deixou (e até incentivou o adversário político) ir para um terreno que lhe é desfavorável?


Vídeo do debate (íntegra) - RTP
Passagens do debate em texto e vídeo - RTP
Audiência; 3,4 milhões espectadores

 

 

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publicado às 23:50



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