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duas gravatas vermelhas

16.09.15

Um tinha uma gravata vermelho vivo. Outra tinha uma gravata vermelha com pintas brancas. 
Durante 42 minutos foi esta a principal diferença no debate entre Jerónimo de Sousa e António Costa.
O ponto comum é que aproveitaram este tempo para zurzir no governo e apresentarem as suas propostas.

Debate, debate, só no último quarto de hora e por iniciativa de António Costa. Quando o líder do PS introduziu a discussão sobre a permanência ou a saída do Euro.

Tal como relata o Expresso, "era suposto ser um debate entre António Costa e Jerónimo de Sousa, mas resultou numa entrevista morna a cada um deles. Ficou a resposta à pergunta: há divergências de fundo sobre o euro e a Europa que impedem uma política a dois num Governo".

Do ponto de vista de comunicação política os líderes dos dois partidos optaram por uma política de não agressão. O dia seguinte às eleições pode ditar proximidade.
Por outro lado, ao não ser contundente e manter a porta aberta com o eleitorado comunista, António Costa també pode, uns dias antes das eleições, dizer a esse mesmo eleitorado: " ó amigo, temos aqui um problema onde você têm um papel importante: para evitar o risco da vitória da coligação, você tem de votar PS. Depois eu falo com o Jerónimo...Mas primeiro temos de deitar fora este governo. Para isso tem de votar no PS".

Jerónimo de Sousa, no minuto final, tentou separar as águas e evitar o risoc do vot útil quando afirmou que há diferenças profundas entre a CDU e o PS que não foram discutidas, segurança social, legislação laboral... Já foi tarde. A fechar. Catarina Martins, do BE, foi mais perspicaz. Cedo marcou a diferença para não deixar o seu eleitorado ser seduzido pelo voto útil. 

 

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publicado às 23:59

1.600 milhões

14.09.15

Um propósito: o PS também penaliza os pensionistas. Esta mensagem foi o foco de Catarina Martins no debate com António Costa. Como o fez: repetiu até à exaustão a mesma mensagem. Tudo era pretexto: o PS fez as contas e quer retirar aos pensionistas 1.600 milhões nos próximos quatro anos.
António Costa deixou andar. Foram mais de 20 minutos a deixar Catarina Martins a repisar o tema. Quando reparou que corria o risco desta mensagem marcar o rescaldo do debate já ía tarde.
Uma hora depois do fim do debate:
RTP online: "Pensões aquecem debate entre António Costa e Catarina Martins
António Costa e Catarina Martins estiveram frente-a-frente na TVI 24.
A líder do Bloco de Esquerda acusou o PS de querer retirar às pensões mais de 1.600 milhões de euros nos próximos 4 anos. Costa respondeu que à exceção das pensões mínimas, o PS tem previsto o congelamento das restantes pensões mas não é nenhum corte."
Visão: "Eleições: Costa e Catarina Martins em choque nas pensões, Europa e economia. Lisboa, 14 set (Lusa) - A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, acusou hoje o PS de preparar-se para retirar 1660 milhões de euros aos pensionistas, enquanto António Costa contrapôs que a "retórica" bloquista, a concretizar-se, levaria Portugal ao "desastre".
Noticias ao minuto: "A "política pateta" do PS e o mundo "retórico" do Bloco.António Costa e Catarina Martins debateram, esta segunda-feira, num frente-a-frente na TVI24, sobre as propostas eleitorais, sendo a Segurança Social o tema que despoletou mais divergência.
Expresso: "Costa renega “tentações esquerdistas”, Catarina encosta-o à direita. Líder do BE pôs condições para negociar com o PS “um governo que possa salvar o país”. António Costa não lhe deu troco."

Pode-se questionar a credibilidade, a argumentação, a encenação... tudo.Mas quem não viu o debate e o único contacto é o que os media vão noticiar vai ficar com uma informação: a dos 1.600 milhões. Ou seja, o BE colocou na agenda dos media um tema negativo para o PS. De tanto repetir a frase passou a ser noticia. 

vídeo: TVI 24

Audiência; 208 mil espectadores

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publicado às 23:11

Costa perdeu

10.09.15

Na entrevista desta noite na RTP, António Costa deu várias vezes a entender que ainda estava no debate com Passos Coelho.
Insinuou e até referiu directamente que o jornalista estava a argumentar tal e qual a coligação. Crispou-se com Vitor Gonçalves e ao longo do programa foi acusando o jornalista de parcialidade. Na parte final, minutos antes da entrevista acabar, trocaram mesmo um diálogo que António Costa marcou com tom azedo.
O jornalista foi dando sempre a mesma resposta. "Limitava-se a fazer perguntas". E bem, não perdeu a compostura.
Ao contrário, António Costa foi perdendo a noção do risco que estava a cometer. Foi subindo a arrogância.
Ontem mostrou segurança, hoje, com um jornalista, revelou-se irrascível.
Maus sinais....
Quem joga à defesa, está empatado tecnicamente e teve um tónico no último debate, não pode originar "caso". É teia de aranha que a oposição aproveita e, eventualmente, os jornalistas saboreiam.

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publicado às 23:29

Costa ganhou

09.09.15

Indiscutivelmente António Costa ganhou o debate a Passos Coelho.
1. Os ganhos directos
Ganhou porque a expectativa era de uma prestação superior de Passos Coelho.
Ganhou porque de manhã os socialistas acordaram com uma sondagem que foi recebida como uma pedra de gelo e à noite meteram a pedra de gelo num copo de whisky.
Ganhou porque deu ânimo aos socialistas e retomou a expectativa de que a tendência de queda, afinal não é irreversível.
Ganhou porque António Costa se preparou e deixou Passos Coelho sem resposta em algumas "manobras" tácticas.
Ganhou porque levou uma estratégia bem delineada e mostrou segurança.
Ganhou porque Passos revelou instabilidade, nervosismo. O incumbente vacilou.
Ganhou porque Passos não se adaptou. Levou uma estratégia defensiva e acabou por funcionar como um saco de boxe.
Ganhou porque Passos não funciona  num debate que exige respostas rápidas e acutilantes.
Ganhou porque Passos quis explicar, justificar, explanar e um debate não é uma prova oral.

 

2. Os ganhos indirectos
A relevância do debate não é apenas o que se passa na arena. É também, e muito, o que os escribas contam e descodificam.
Após o debate não vi um único comentador dizer que Passos esteve bem, muito menos que ganhou.
Percorro alguns sites de notícias e têm destaque variados mas alguns apontam para a vitória de António Costa.
Capas de jornais de economia:

Screen Shot 2015-09-10 at 00.36.14.png

Capas de jornais nacionais de informação geral:

DN

DN
I

i.jpg

 JN

jn.jpg

Público

publico.jpg

CM

cm.jpg

 

3. O que não entendo:
O que levou Passos Coelho a levar ao extremo a estratégia defensiva? Ao ponto de se mostrar uma figura vulnerável, passiva. Julgo que lhe terão dito: "você é estadista. Pose institucional. Não responda. Diga o que quer dizer para os indecisos. Cole o A. Costa ao governo de Sócrates. Deixo o Costa mostrar o perfil de alguém instável, quezilento, que só diz mal..." Acho que Passos não se adaptou. Foi inflexível nesta estratégia.
Segunda dúvida: o que levou António Costa a remexer no passado? Que foi o PSD que chamou a troika! Isso é dar uma de avanço a Passos Coelho. O que o levou a convidar Passos a visitar Sócrates? Porque se deixou (e até incentivou o adversário político) ir para um terreno que lhe é desfavorável?


Vídeo do debate (íntegra) - RTP
Passagens do debate em texto e vídeo - RTP
Audiência; 3,4 milhões espectadores

 

 

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publicado às 23:50

Catarina Martins - Paulo Portas

08.09.15

1. Não se pode deixar Paulo Portas em roda livre. Nem o moderador nem o adversário político. Ele apropria-se da gestão do tempo.

2. Falar de desemprego com um sorriso mata a mensagem.

3. Ter uma imagem de combate, oposição forte e aparecer com ar doce, provoca efeito de estranheza.

4. Só ao fim de 22 minutos começar-se a falar dos problemas do dia a dia dos portugueses é anular uma oportunidade.

5. Falar continuamente 3 a 4 minutos perde eficácia. Afinal o que queria dizer? A economia da linguagem é essencial.

6. Não ser economista e sentir a necessidade de afirmar que se sabe do que se fala é secundário. O eleitor quer saber o que se compromete a fazer. O que os outros não fizeram bem. Só isso. Economês não é para debate.

7. A oposição perdeu a noção social do descontentamento. Falar de números, estatísticas, políticas macroenconomicas... esquece o eleitor que está desempregado. Que tem uma angústia. Esquece o reformado que teve uma expectativa de estabilidade para os últimos anos da sua vida e que nunca imaginou as privações por que passa. Pessoas. Casos. O drama de situações concretas. A vida das pessoas não as abstrações.

 audiência: 218.700 pessoas
Vídeo na SIC Notícias

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publicado às 22:24

tiro ao lado

08.09.15

Olho hoje para as primeiras páginas dos diários nacionais. Apenas um, o DN, tem em destaque uma notícia sobre a campanha eleitoral. O  I tem uma entrevista a João Cravinho que releva uma frase sobre o resultado das eleições.
Os restantes dão destaque a José Sócrates, futebol...e refugiados.
No mesmo dia arranca uma série de debates televisivos (Catarina Portas/Paulo Portas) e vários líderes partidários andam em campanha.
As televisões não fogem à regra. Pouco destaque nos principais blocos informativos.
Uma notícia do Público de hoje pergunta "Portugueses estão a ficar cansados das entrevistas aos líderes partidários?". O motivo da pergunta tem a ver com a audiometria revelar que as audiências televisivas das entrevistas aos dirigentes partidários têm vindo a baixar.
A flata de interesse revela que a campanha está a passar ao lado de muitos portugueses. Tenho mesmo dúvidas se as estruturas partidárias conseguem até estabelecer contacto com alguns dos eleitores tal a indiferença.

Pode haver razões específicas. Campanhas mal organizadas e delineadas. Mera comunicação política em vez de marketing eleitoral... Parece-me que o problema é mais complexo. A crise de 2011 provocou uma muralha entre os portugueses e a vida política.

 

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publicado às 12:48

marketing/comunicação política

06.09.15

A ausência desta distinção é talvez o maior problema da candidatura do PS às legislativas 2015.

Comunicação política é uma actividade genérica. Muito indiferenciada.
“O marketing politico afirma-se como um utensílio recente da comunicação politica. (...) É um conjunto de técnicas que têm como objectivo favorecer a adequação de um candidato ao seu eleitorado potencial, torná-lo conhecido do maior número de eleitores, criar a diferença em relação aos concorrentes” – Michel Bongrand em O Marketing Politico.

Em síntese, o marketing faz um diagnóstico, define um alvo a atingir, sabendo antecipadamente o que pensa esse segmento e qual o potencial de vitória que pode trazer à candidatura.

É o que está a fazer a PaF. Evitam a sobrexposição. A sua acção está dirigida para os indecisos que já votaram na direita. Procuram agora o contacto com esse eleitorado tentando mostrar que se justificou a politica seguida. Retomar uma ligação com alguém que já se conhece.

No PS a situação parece ser muito diferente.
Não é perceptível o alvo. Funcionários públicos? Desempregados? Reformados? Jovens? Descontentes em geral? Parece que o PS quer atingir todos. Não se posiciona de forma clara.
Uma vezes dirige a sua mensagem para a esquerda. Outras vezes diz que se identifica com Manuel Ferreira Leite.
Compromete-se mas não promete emprego....
Pretendem um registo de seriedade e moderação e em simultâneo fazem iniciativas de "tiro ao alvo" a dirgentes da coligação.
Criticam a exposição da mulher de Passos Coelho e depois colocam uma fotografia de António Costa com a mulher.

Não tem uma mensagem dirigida e, repetidamente, o líder é obrigado a clarificar o que disse anteriormente. O caso dos migrantes irem trabalhar para as florestas é mais um exemplo.

É estranho porque o PS tem tido colaboradores excelentes nesta área e António Costa é reconhecidamente um dirigente politico experiente em campanhas eleitorais.

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publicado às 00:35

estava tudo tão calmo

04.09.15

A um mês das eleições a campanha estava morna. Futebol e migração de países em guerra para a Europa dominavam a agenda dos media.
O dado político mais relevante foi a sondagem do Expresso que arrasta o empate técnico entre PS e PaF.
De repente regressa "a sombra de António Costa". José Sócrates vai para casa, em prisão domiciliária.
Na mesma noite António Costa comenta a decisão judicial. Muito cuidadoso. Tem sido este o registo do líder do PS.
O problema não residirá numa escorregadela de António Costa mas de outros dirigentes socialistas.
A campanha morna, defensiva (do PS e da PaF) corre riscos. Aliás, a manchete do Expresso de amanhã, sábado, chama a atenção para isto:  "Saída de Sócrates e sondagens alarmam PS".
Não me parece que a saída de Sócrates, em si mesma, influencie o voto dos eleitores. A influência na decisão já teve os seus efeitos. O problema está na forma como os socialistas vão gerir o caso. O PS tem dado sinais nesta campanha de muitas dificuldades de organização, de um trabalho sistematizado. Agora, corre mais um risco. Muitas perguntas, muitos comentários, visitas... a agenda vai ser "socrática". Se o PS não controlar de forma férrea a sua comunicação política pode ter muitos problemas e não conseguir marcar a sua agenda.
Passos Coelho continua a sorrir da sua janela...

Ver: "A dificil posição de António Costa" - Editorial Público

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publicado às 23:45

debater por debater

01.09.15

Catarina Martins/Jerónimo de Sousa.

Realizar debates sem justificação editorial dá nisto: "O debate da esquerda que não teve combate".
Pelo que relata Manuel Agostinho Magalhães, no jornal Sol,  "Trinta e cinco minutos depois do início do debate, o moderador procurou um tema em que os dois partidos pudessem expressar diferenças: a preparação da saída do euro." Nem assim conseguiu.
Vamos ver as audiências... (115 mil espectadores)
Do ponto de vista da comunicação política e da perspectiva editorial não era preferível entrevistas separadas?

 

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publicado às 22:58

Debates

01.09.15

Começa hoje a série de debates das Legislativas 2015.
Podem ser um "aditivo" para a comunicação política eleitoral numa altura onde os portugueses dão sinais de indiferença à campanha eleitoral.Ou os responsáveis políticos perderam o norte em termos de comunicação política.
É provável que sejam ambos. Os portugueses não querem saber da política e os políticos não sabem comunicar com os portugueses.

Ouvi vários noticiários durante a manhã. TSF e Ant1. O tema dos debates foi abordado mas era uma das últimas histórias do alinhamento. Com pouca informação. Apenas a noticia do debate BE/CDU. A TSF tinha ainda um spot promocional. Nada mais. Na imprensa pouco mais.
Alguns exemplos: o Observador diz que "Apenas um em cada oito portugueses assiste a debates políticos" e o Público refere que "Debates televisivos influenciam, mas podem ter atingido alguma “saturação”".

Os debates são importantes na estratégia de comunicação política. Podem mesmo ser decisivos. Num contexto de empate tecnico entre PS e PaF os debates entre Passos Coelho e António Costa podem ter grande relevância.
O líder do PS sabe dessa relevância e até participou num media training.
Acredito que Passos Coelho tenha ou venha a fazer o mesmo. A diferença é que não vai ser divulgado.
Esta relevância é partilhada num telex da Lusa que acredita que os debates podem superar as audiências em relação a confrontos televisivos anteriores.

Lista dos debates programados:
Catarina Martins e Jerónimo de Sousa        1 Set. (vídeo) RTP-Informação (115 mil espectadores)

Catarina Martins e Paulo Portas                  8 Set  (vídeo) SIC-Notícias. (218 mil espectadores)
Passos Coelho e António Costa                  9 Set. (vídeo) RTP/SIC/TVI (3,4 milhões espectadores)
Passos Coelho e Catarina Martins             11 Set. (vídeo) RTP-Informação (136 mil espectadores)
António Costa e Catarina Martins              14 Set.(vídeo) na TVI24 (208 mil espectadores)
António Costa e Jerónimo de Sousa         16 Set na SIC-Noticias
Passos Coelho e António Costa                17 Set. (video) Ant1/TSF/RR (1,272) milhões ouvintes)
Heloísa Apolónia e Paulo Portas                18 Set  (vídeo)          TVI24

 

 

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publicado às 14:53



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