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mandei-lhe uma carta em papel perfumado

27.08.15

Namoro. É o titulo do poema de Viriato da Cruz e adapta-se bem ao contexto: as várias cartas que António Costa tem escrito aos eleitores.
Processo simples, básico. Típico de há um século atrás.
Curiosamente tem sido muito eficaz.
Já vamos no quarto dia e cada carta tem tido grande eco na comunicação social. Até comentário de politólogos.
A edição é feita online, cada missiva tem sido antecipada  à imprensa e, depois, é propagada pelas redes sociais.
Além de eficaz é muito barato.

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publicado às 17:56

2x0=0

18.08.15

Estão bem uns para os outros. PS e PaF estão a fazer não campanha.

Sem ideias, sem iniciativas, sem criatividade. Um deserto.
Uns fazem de mortos porque contam com o desgaste do Governo. Os outros, fazem de mortos porque contam com o medo do passado.

Fontes da coligação disseram há pouco mais de um mês que não chega ameaçar com o passado. Deve-se projectar o futuro. Emprego e questões sociais. Na verdade até fizeram uns documentos e cartazes sobre o tema. Pouco mais.
No Pontal nada disseram sobre o futuro. Nem uma ideia para resolver os problemas dos eleitores. Colocam nos portugueses palas como fazem aos burros para que olhem apenas para a frente. Nada se passa ao lado.
Por outro lado, a campanha está em coma induzido. Não há iniciativas, pseudo-acontecimentos, reuniões públicas, visitas dos lideres a empresas. Nada.


O PS também não está melhor. Além dos tiros nos pés, o vazio é ensurdecedor.
Veja-se o PSOE que em breve também estará em contenda eleitoral. Aproveitou a discussão sobre a reformulação das instituições europeias e avançou com um documento que vai apresentar a Hollande. A União Europeia é um tema fundamental. Os socialistas ibéricos sempre o disseram. Os de Espanha avançaram com uma iniciativa. Os portugueses nada fazem. Mais estranho ainda quando o documento do PSOE assenta em muitas das bandeiras defendidas pelo PS nos últimos anos.

Por cá domina a letargia.
A comunicação politica é casuistica. Depende das manchetes dos jornais e das estatisticas do INE.
Assim, é dificil combater a abstenção.

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publicado às 17:21

O vidro temperado do PS

15.08.15

O vidro temperado tem tempera, aumenta a capacidade ao choque. Quando quebra, divide-se em fragmentos granulados.
É o que está a suceder à campanha do PS e a António Costa.

Dou apenas alguns exemplos de algumas pessoas que, julgo, se situarão no que se pode considerar o eleitorado do PS:

O mais recente - António Colaço, este sábado no Expresso.
O antigo assessor do Grupo Parlamentar do PS é demolidor.
Não reconhece a António Costa capacidade de gerar confiança em função das decisões que tomou. No deita abaixo de Seguro e na saída da Câmara de Lisboa.

Outro exemplo – Seixas da Costa, tendo como pretexto as eleições presidenciais. Considera que a situação não tem remédio. O problema só ficará atenuado se o PSD e a coligação tiverem sarilho idêntico.

Outra opinião, a de Viriato Soromenho Marques num artigo no DN.
Um texto que só uma visão independente tem coragem de escrever. Poucos com cartão de militante estariam disponíveis para o fazer, embora, muitos concordem com a escrita.

Por último, o lamento de Baptista Bastos.

Estes relatos públicos sintetizam-se no seguinte: desanimo, decepção….
António Colaço, que é autor do blog “Ânimo – para tornar os dias mais leves” , deverá perceber ao que me refiro.

Subjectividade à parte, o que é relevante é que a manifestação destes estados de alma têm impacto. Nas “tropas”, em quem faz opinião (da barbearia da aldeia ao comentador de tv) e na própria organização de campanha que passa a sentir esta pressão de forma permanente: “o que fazer para dar a volta?”
Esta pergunta origina, com frequência, maus resultados. Iniciativas disparatadas, mudança de eixo de campanha (que na campanha do PS não existe qualquer um!), respostas tensas...
Responsáveis de campanhas eleitorais já o sentiram e sabem que o melhor é reagir a frio. Preferencialmente com dados estruturados como, por exemplo, estudos de opinião – com frequência a opinião publicada nada tem a ver com a opinião do eleitorado que se pretende atingir.

O mais paradoxal é que a coligação está vazia, também não motiva...

Hoje iniciam a campanha eleitoral, com o famoso comício no Algarve.
 Qual a grande novidade politica que antecipam? Resposta no Expresso – “Coligação vai ter 5 mil bandeiras na festa do Pontal”.

A diferença estará na gestão das expectativas.
Costa foi eleito sg do PS em Outubro para vencer com maioria absoluta, destronar não por poucochinho a maioria… as sondagens projectaram o PS para os 40%.

Ao contrário, PSD e CDS arrastavam-se numa agonia.
Hoje as duas forças partidárias estão em empate técnico.

Por último, o PSD e o CDS não têm feito erros na campanha (na verdade nem têm feito campanha), enquanto o challenger tem sido noticia por incompetência na comunicação politica e contaminação por parte das presidenciais.

Não se estranhe assim o desnamino, a fragmentação granular de um vidro que até era resistente ao choque.

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publicado às 13:50

Concorrência

14.08.15

A política é um jogo de soma zero. O que um ganha, perde o outro. É um mercado muito competitivo. O desleixo ou a má fortuna de uns pode ser a oportunidade de outros.

be_desemprego.jpgFoi o que fez o BE.
Perante os erros do PS e a visibilidade que o assunto teve a nível nacional, o Bloco aproveitou a oportunidade e colocou outdoors onde diz que dá a voz a "desempregados reais", a "gente de verdade que dá a cara".
O que o BE quer dizer é mais.
Não é apenas afirmar que são melhores criativos. Não. Pretendem lutar pelo eleitorado que pode votar no PS. No fundo querem dizer:"nós fazemos verdadeira oposição. De verdade. Não temos medo de dar a cara". Por outras palavras, se não queres a coligação, se queres uma verdadeira oposição, "gente de verdade", vota no BE.

Graficamente o cartaz está bem feito. É muito parecido com os do PS sobre o desemprego. Boas fotos, fortes, duras, expressivas. O preto e branco dá força ao rosto e ao texto. A única cor é a assinatura do BE. O contraponto do simbolismo do preto e branco.

 

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publicado às 15:44

PS- está dificil acertar nos outdoors

06.08.15

O PS está a ter um sério problema com os outdoors. Na verdade, as polémicas geradas estão a provocar um efeito contrário ao pretendido.
Redes sociais, blogues, páginas de comentários...e posterior utilização pelos média tradicionais, estão a anular a comunicação política do PS.

Cronologia dos últimos cartazes:

cartaz_ps3.jpg
O PS desencadeou uma operação para combater a mensagem da coligação de que o governo está a atenuar significativamente o problema do desemprego (a maior preocuapção dos portugueses segundo as várias sondagens).
Graficamente os outdoors são interessantes. Preto e branco e boa foto. Uma pessoa, uma história, um caso. Problema dos cartazes:  um deles remete a história pessoal para o último governo... do PS. Segundo problema: colocam os figurantes ao lado de citações. Falso!
Redes sociais e media pegaram na história.

cartaz_ps2.jpgA polémica já tem rasto. A vaga anterior também não foi pacíifica e esteve na origem de várias notícias. Edson Athayde sai e não sai
A campanha dos outdoors foi ou não retirada por causa da qualidade de comunicação dos cartazes...
Pior, foi pretexto para gozação nas redes sociais.
Uma polémica que anulou significativamente o efeito pretendido.
O sol radiante surgiu pouco depois de uma mensagem que dava corpo à prioridade definida pelo PS: o emprego.

cartaz_ps1.jpgO que, do ponto de vista da narrativa é um pouco confuso. Por outras palavras, o que deveria ter sido feito primeiro era a difusão de uma mensagem negativa,  o último cartaz, das pessoas que estão no desemprego. O que está mal, o que preocupa os portugueses.
Na minha opinião esta vaga de cartazes já devia ter sido feita há mais tempo. Pouco depois da Convenção. Assinalar e colocar na agenda um dos temas negativos para a coligação. Assimilar. Desgastar.
Só depois se passaria para a mensagem positiva, a mudança. Nunca: "emprego", depois "Tempo de Confiança" e a seguir "desemprego". Não bate certo.

cartaz_ps0.jpgAntes da prioridade ao emprego o PS projectou o seu líder, tentando associar a ideia de confiança e rigor.
Tudo bem.
O cartaz é que podia ser muito melhor. Graficamente pobre e nem sequer era fácil de ler...

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publicado às 22:43

Números

05.08.15

Um dos soundbytes de Guterres: "as pessoas não são números".
PSD e PS não aprenderam. Só falam em números quando se pronunciam sobre o desemprego.

A política é feita para as pessoas. Com pessoas. Com retratos, casos pessoais.
Estatistica é abstração.
É curioso que nesta campanha pouco se fala de pessoas e não pára a retórica com números. Numa altura em que milhares de famílias se confrontam com problemas concretos e angustiantes.

INE anuncia dados sobre desemprego. Resposta do maior partido da oposição em título do Público: "PS acusa Governo de “fabricar estatísticas com fundos estruturais”.

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publicado às 20:03

"Despresidenciais"

20.07.15

Os principais partidos políticos  querem evitar fissuras por causa das presidenciais. Mas, a última semana mostrou que há contágio entre as duas eleições.

Sondagens, anúncio de candidaturas, declaraçãoes de proto-candidadtos, pré-campanha dos candidatos assumidos, noticias, comentário nos principais meios de comunicação social....
As presidenciais estão a contaminar as legislativas.
Em particular os líderes do PS e PSD têm-se mostrado avessos a qualquer pronunciamento. No entanto, estão a ficar condicionados. De tal modo que, por exemplo, o PSD tenta justificar os comentários macios de Marcelo R Sousa em relação a António Costa como uma estratégia para melhor se afirmar na corrida presidencial (ver noticia no Expresso).
Por outro lado, sucedem-se os recados a tentar condicionar António Costa: que o PS vai dar em breve o apoio a Sampaio da Nóvoa, que o presidente do PS teve um encontro com o candidato presidencial e Carlos César e António Costa têm visões diferentes sobre o tema.

Já não há descontaminação possível.

 

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publicado às 22:13

Confiança - credibilidade

19.07.15

A palavra confiança marca esta fase de pré-campanha. Cartazes, discursos e acusações tentam introduzir no eleitorado a ideia: "não confies no meu adversário".

O tema da confiança começou com a coligação a tentar assustar os portugueses sobre as propostas do PS. Não são confiáveis, podem ser um retrocesso... Paulo Portas não se cansa de o repetir.
De certa forma, esta acusação teve efeito porque levou o PS a assumir uma postura defensiva. Não se cansa de colocar em cartazes, outdoors e até nos cenários onde está António Costa, as palavras confiança e rigor.
Esta postura defensiva teve, no entanto, uma viragem.
A sondagem da Católica e a entrevista na SIC onde Passos Coelho foi questionado sobre a percepção pública de mentir, transformaram-se numa oportunidade para o PS passar à ofensiva. A mensagem do líder do PS na última semana não deixa de projectar esta ideia: Costa acusa Passos de ter um vício: julgar que “é possível enganar toda a gente o tempo todo” (Expresso)

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publicado às 15:37

Defensivos

16.07.15

As entrevistas dos líderes do PS e do PSD revelam um comportamento defensivo. Jogam apenas na erosão. Assim, vai ser ainda menos motivador, o processo eleitoral e abrem a porta a casos mediáticos.

 

António Costa deu duas entrevistas nas televisões em sinal aberto e em prime-time. Sem notícia, dados novos. Na defensiva. Cauteloso. Um discurso moderado, pose institucional e posicionamento ao centro.

Pedro Passos Coelho foi uma cópia de António Costa. A única diferença foi o cenário. Em S. Bento, para marcar o estatuto.

Uma análise mais profunda, sobre o posicionamento dos dois partidos face aos principais problemas dos portugueses (a estratégia nacional e o condicionamento internacional) ajuda a perceber que não há diferenças assinaláveis entre as duas forças políticas.
No inicio do processo de ajustamento havia uma fronteira ideológica.
O PSD liberal, dinamizador de uma pretensa revolução do Estado (retirando o peso na sociedade) e a ideia de um país novo. Estas particularidades desapareceram. A aproximação foi feita também no discurso e no posicionamento. Exemplo: as bandeiras do PS são emprego e crescimento económico. As bandeiras do PSD são crescimento económico e justiça social/emprego.
Com um posicionamento idêntico (ao centro), com um eixo de campanha igual ("nós vamos tirar o país da austeridade a que o outro partido nos submeteu" ) com bandeiras parecidas e com uma postura igualmente moderada e defensiva, PS e PSD tornam-se o Dupont e Dupont (será Paulo Portas o elemento diferenciador?).
Se nos próximos meses os dois partidos caminharem lado a lado, como uma linha de caminho de ferro, abre-se uma oportunidade para outros ocuparem o território da novidade, da alternativa, da mudança, da surpresa. Tendo em conta os estudos de opinião, quem ocupar este espaço não vai ganhar as eleições. Nem pensar, o eleitorado prefere o previsivel. Mas pode ganhar relevo, espaço... e votos.

O que remete para uma outra questão. O PS tem dificuldades em superar os 37/38 pc. O PSD e o CDS, coligados, também revelam dificuldade de crescimento. Sobem, mas muito ligeiramente e o resultado final fica muito aquém do somatório dos dois partidos nas eleições anteriores. Se pouco fazem para alargarem a base eleitoral, fora do centrão, e podem deixar a outros o espaço mediático da mudança, estão a dificultar a sua capacidade de crescimento.
O receio de perderem o que têm impede de se aventurarem na conquista de mais eleitores. Estão confinados. Como o país.

 

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publicado às 15:11

Dinâmicas

19.06.15

sondagem da Universidade Católica de junho, tem uma confirmação, uma surpresa para distraidos e uma forte dúvida.
Começo por este último aspecto: como se explica o BE duplicar o seu valor?
Segundo, a confirmação: os resultados reforçam a ideia das duas outras empresas de sondagens: empate entre a coligação e o PS. 
Terceiro, o que me parece mais relevante: a actualização coincide entre o momento actual e a fase em que António Costa era o "salvador" da pátria socialista. Entretanto, nestes oito meses, passou do estado de graça para o estado sem graça.
Ao contrário, PSD e CDS passaram do estado da desgraça para a esperança. "Afinal é possivel ganhar".
Estas são circunstâncias que podem mudar. No entanto, o que estes dados, no presente, realçam é uma forte inversão das tendências entre os dois maiores blocos partidários (mais ainda quando existe uma relação de proporcionalidade directa) e isso tem imenso peso na comunicação politica.
Em primeiro lugar a nível interno. António Costa avançou para a liderança do PS na sequência das Europeias porque "a vitória do PS soube a pouco." Agora, podem por em causa o argumento justificativo da crise entre os socialistas. Por outro lado, quem andava a resmungar às escondidas tem hoje um brilhozinho nos olhos - "ainda dizia ele que ía ganhar com maioria absoluta!"  Por outro lado, a motivação dos militantes e simpatizantes esfria. Alguns começam a interrogar-se: "afinal não vamos lá com o Costa"?
Mesmo em termos discursivos, a nível externo, começa a ser mais dificil de afirmar o objectivo de se querer uma maioria absoluta. E isto aparenta ter efeitos nos indecisos (e voto útil), já para não falar nos que não avançam de forma publica porque duvidam que, afinal, o PS chegue ao poder.
Ao contrário, a coligação passa para o renascimento. Dá força, cria expectativa e muitos que se auto-silenciavam começam a defender publicamente a obra deste governo.
A quatro meses das eleições este é um movimento que pode gerar uma dinâmica dificil de inverter.
A experiência democrática tem tido alguns exemplos. O caso mais evidente foi a gestão política dos governos de Cavaco Silva com maioria absoluta. Perdia as autárquicas, remodelava o executivo e entrava num periodo de recuperação até às Legislativas.

- Reacção do líder do PS: "António Costa diz que importante é vencer as eleições"

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publicado às 12:47



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